quinta-feira, 10 de Abril de 2008

PARA UM MODELO INTEGRADO DE TREINO

O ténis de alta competição é cada vez mais exigente. O nível de performance dos jogadores e o número de competições a disputar é cada vez maior, os jogadores precisam estar mais vezes em forma e durante mais tempo, quase não existe período preparatório (pré-temporada), o planeamento dos torneios é realizado com pouca antecipação e existe cada vez menos tempo de preparação.

Esta tendência contraditória, de os jogadores necessitarem cada vez mais estar em melhor forma com cada vez menos tempo para se prepararem, exige que o treino seja mais específico e intencional. É necessário organizar o treino com critério e objectividade, seleccionar os exercícios de acordo com as necessidades concretas de cada atleta (individualização), onde a quantidade e a qualidade dos estímulos de treino, sejam eles ao nível técnico, táctico, físico ou psicológico, assumam um papel decisivo.

O treinador deverá conhecer muito bem os seus atletas, deve saber exactamente o que é que tem que desenvolver e qual o caminho a percorrer. Os exercícios devem ser criteriosamente seleccionados, de modo a constituírem "estímulo apropriado" às capacidades e/ou comportamentos que se pretendem desenvolver, e organizados segundo determinados princípios de forma a rentabilizar o tempo de treino.

Com o objectivo de tornar mais específico e intencional o processo de treino, neste trabalho iremos caracterizar e sistematizar um aspecto que consideramos fundamental na preparação de um tenista de alta competição.

A CONSISTÊNCIA DE JOGO

A consistência de jogo, muito embora englobe o conjunto das situações do jogo (ambos os jogadores no fundo do court, um jogador se aproxima ou está na rede, o adversário aproxima-se ou está na rede, quando se serve e se responde ao serviço), geralmente está relacionada com o jogo de fundo do court e depende de um conjunto de factores de natureza técnico/táctica, física e psicológica. O jogador consistente é essencialmente um jogador que comete poucos erros não forçados, tem a capacidade de gerir o ritmo e a qualidade da bola (direcção, distância, altura, velocidade [potência] e efeito) de acordo com a situação de jogo, tem vantagem em “rallies” prolongados e numa situação de equilíbrio de fundo do court tem a capacidade de criar situações de vantagem sobre o adversário e/ou obrigá-lo a cometer erros.

FACTORES FISIOLÓGICOS

No que diz respeito à condição física, o jogador consistente, como especialista que é em jogadas "prolongadas", tem que, durante um longo período de tempo, ter a capacidade de desenvolver repetidamente esforços intensos e de curta duração.

Segundo Schonborn, 1987, Reilly, 1990 o tempo médio de duração das jogadas pode variar entre 2 e 5 segundos em superfícies consideradas rápidas, dependendo da existência ou não de acções de rede na sequência do serviço. Em superfícies lentas (terra batida) as jogadas são compostas em média por 8 batimentos e duram por volta dos 10 segundos. Os “rallies” mais demorados em termos médios duram menos de 20 segundos.

Neste caso, como pretendemos caracterizar as exigências da consistência de jogo, interessa-nos considerar a duração média dos “rallies” mais prolongados que, como vimos, são inferiores a 20 segundos. Entre as jogadas e os jogos existem períodos de descanso de duração estandardizada em que a actividade do jogador é muito reduzida.

Durante as jogadas são percorridos em média 14 metros (Schonborn, 1987), em que são realizados diferentes tipos de deslocamento (enquadramento, posicionamento e recuperação), combinados com intensas travagens e constantes mudanças de direcção que apelam a uma grande capacidade de aceleração nas várias direcções, onde a capacidade perceptiva (leitura do jogo, avaliação da trajectória da bola, etc.) e de antecipação da resposta desempenham um papel decisivo.

A duração do encontro pode durar até várias horas, dependendo do número de sets que são disputados, das características dos jogadores (perfil de jogo) e da superfície do campo (rápido ou lento).

Selinger et al. (1973; cit in Reilly, 1991), num estudo que realizou com o objectivo de caracterizar o esforço realizado durante o jogo de ténis, onde pretende relacionar a análise dos deslocamentos com alguns parâmetros fisiológicos, refere-nos que, no que diz respeito estritamente ao tempo de exercício, a energia que é necessária para garantir o esforço durante o jogo de ténis deriva essencialmente dos sistemas anaeróbios (ATP-CP e ácido láctico), nas percentagens médias de 70% para o sistema anaeróbio aláctico, 20% anaeróbio láctico e 10% para o aeróbio.

Muito embora, estes dados digam respeito à globalidade das acções do jogo de ténis, não se refiram especificamente às acções que melhor definem a "consistência de jogo", nem caracterizem apenas jogadores considerados consistentes, permitem-nos ficar com uma ideia da contribuição relativa dos várias sistemas de produção de energia durante a fase de exercício.

É fácil concluir que a fonte anaeróbia aláctica desempenha um importante papel no fornecimento de energia durante o exercício e que o sistema anaeróbio láctico participa de forma modesta na manutenção do esforço a níveis máximos de intensidade após ter sido esgotada a fonte anaeróbia aláctica.

Será talvez possível supor que um jogo que se baseie em “rallies” prolongados exija uma contribuição ligeiramente superior dos sistemas anaeróbio láctico e sobretudo aeróbio. Sabemos, no entanto, que quanto maior for a quantidade de oxigénio captado, fixado, transportado e utilizado pelo organismo durante um esforço máximo de características gerais (potência aeróbia), mais rapidamente o organismo repõe os seus "stocks" de ATP-CP e recupera da fadiga láctica. Por outro lado, quanto maior for a capacidade de realizar esforços em regime aeróbio a um nível de intensidade próximo do V02 máx., menor será a participação do processo de produção de energia anaeróbio láctico. Em suma, o jogador consistente, para além da necessidade de ser veloz (ágil) deve estar bem preparado em termos aeróbios (limiar anaeróbio o mais tardio possível e um bom consumo máx. de 02), para permitir uma boa recuperação durante os períodos de paragem do jogo e retardar o apelo significativo à fonte anaeróbia láctica.

Muito embora, não tenham sido encontrados valores significativos de acumulação de ácido láctico durante o jogo de ténis, em nosso entender, na preparação do jogador consistente deve ser dada alguma atenção à capacidade de tolerância láctica (sobretudo se o limiar anaeróbio for baixo).

Paralelamente às condicionantes energéticas, a força (resistência e potência) garante a continuidade e o carácter explosivo das acções técnico/ tácticas. A flexibilidade, por outro lado, parece ter influência na eficiência dos movimentos (coordenação), na recuperação e na prevenção de lesões.

Por último, convém ainda assinalar a importância da coordenação a este nível de treino. Não sendo uma qualidade física específica do perfil de jogador consistente, a coordenação assume uma relação estreita com o dispêndio energético que não deve ser desprezada. Uma habilidade motora coordenada pressupõe que as acções intersegmentares sejam realizadas de forma bem sincronizada e com o limiar de contracção muscular necessário; ou seja, os movimentos são fluidos sem sobressaltos e mecanicamente eficientes (relação entre o gasto energético e o trabalho produzido).

FACTORES PSICOLÓGICOS

A suportar e a ser suportado pelas capacidades técnico/tácticas e fisiológicas, o perfil psicológico do jogador consistente é um bom exemplo de robustez mental. No seio da multiplicidade de variáveis que determinam o "estado ideal de performance", (pressão, condição física, domínio técnico/táctico, comportamento do adversário, resultado, comportamento do público, etc.), o jogador consistente consegue sempre encontrar forma de jogar perto das suas máximas potencialidades. Tem essencialmente um grande controlo sobre o seu estado emocional (consegue manter-se durante muito tempo no seu "estado ideal de performance"), é persistente e extremamente paciente ao mesmo tempo que demonstra uma enorme confiança em si próprio.

A ESPECIFICIDADE DO PROCESSO DE TREINO

Uma das preocupações centrais do nosso trabalho é tomar o treino mais objectivo e intencional, o que pressupõe especificidade nos estímulos de treino (exercícios). Os programas de treino devem ser elaborados de forma a desenvolverem as qualidades (técnico/táctica, físicas e psicológicas) específicas de cada atleta, aquelas que são mais necessárias para atingir os objectivos definidos. O treino técnico deve ser realizado sem nunca se perder de vista a dimensão táctica do jogo. O batimento de direita ou de esquerda por si só não existem, apenas têm significado quando inseridos no contexto do jogo. A especificidade do treino a este nível, estabelece que os exercícios devem ser seleccionados de acordo com os objectivos que se pretendem alcançar. Por exemplo, se pretendermos desenvolver, dentro do aspecto particular da consistência de jogo, o "controlo da profundidade da bola", é necessário que os exercícios, de facto, visem os aspectos mais importantes que caracterizam esta capacidade técnico/táctica na situação de jogo.

Teremos então que retirar do jogo as situações que melhor caracterizam aquela capacidade e, de acordo com as necessidades do atleta, elaborar exercícios que reproduzam essas situações.

Segundo Mathews & Fox (1983), a especificidade do treino e dos exercícios em termos fisiológicos deve ser encarada essencialmente a dois níveis: metabólico e neuromuscular.

Ao nível metabólico é necessário considerar os diferentes sistemas energéticos (aeróbio, anaeróbio aláctico e láctico) que, ao possuírem capacidades e potências distintas, obrigam os exercícios a uma determinada intensidade e duração. Os exercícios de baixa intensidade e longa duração dependem fundamentalmente do sistema aeróbio e os exercícios de alta intensidade e curta duração dos sistemas anaeróbios.

Um pressuposto básico do treino é que quanto mais solicitado for um determinado sistema energético, maior será a capacidade e a qualidade do desempenho nas actividades que dependem desse sistema. Deste modo, em termos fisiológicos, para garantir a especificidade do efeito da carga de treino, é necessário seleccionar os exercícios que, de facto, solicitem de forma adequada as fontes energéticas que mais intervêm e/ou que mais interessam desenvolver.

Ao nível neuromuscular, importa referir que a especificidade do treino depende do tipo de unidades motoras ou de fibras musculares (contracção lenta e rápida), assim como dos padrões específicos de contracção que são solicitados durante os exercícios. Os exercícios utilizados durante o treino, devem então recrutar os mesmos grupos musculares e os estímulos devem aproximar-se o mais possível dos padrões de movimento realizados durante o jogo.

Resumindo, a selecção dos exercícios, em termos fisiológicos, deve obedecer aos seguintes critérios:

* Solicitar exactamente a(s) fonte(s) energética(s) que se pretende(m) desenvolver;

* Recrutar os mesmos grupos que são utilizados no jogo;

* Movimentos o mais próximo possível dos que são realizados na situação real de jogo;

A dimensão psicológica, como já referimos, reforça e é reforçada por todo o trabalho de preparação técnico/táctico e físico. A objectividade e a intencionalidade das situações de treino são, por si só, um factor muito importante de reforço psicológico. A preparação psicológica, tal como os outros tipos de preparação, será tanto mais específica quanto os estímulos de treino (exercícios) se direccionarem para as necessidades do atleta, de acordo com os aspectos psicológicos que caracterizam o jogo ou a situação do jogo que se pretende desenvolver.

A noção de especificidade, como é fácil perceber, sugere uma relação estreita entre os diferentes níveis de preparação. De facto, ganhamos especificidade e objectividade no treino se conseguirmos articular (integrar), a todo o momento, os factores de treino técnico, táctico, físico e psicológico que caracterizam os aspectos do jogo que queremos melhorar.

Comunicação apresentada no Worldwide Coaches' Workshop/European Tennis Association Coaches' Symposium, Palma de Maiorca 1997.

terça-feira, 16 de Outubro de 2007

GAME, SET, MATCH… HIDRATAÇÃO

Game, Set, Match… Hidratação

È um inimigo que aparece tarde. A aparição da sede durante um encontro de ténis, é um sinal que o nosso balanço hídrico está em perigo e que não estamos a repor tudo o que perdemos através do suor. Não só se trata de perder água como os electrólitos que são os responsáveis dos sintomas de fadiga, cãibras e debilidade física. E não só se trata de um risco do verão como é um factor que aumenta o perigo. Rehidratar-se, e utilizar bebidas isotónicas que contenham sais de sódio, potássio, magnésio, cálcio, fósforo ou cloro é vital.

A sudação é uma das funções fisiológicas mais importante da pele já que intervém de forma directa na regulação térmica do organismo. A evaporação do suor permite ao organismo o arrefecimento corporal. A secreção do suor está regularizada pelo sistema nervoso e pela temperatura central do corpo.
Durante um encontro de ténis, o corpo tende a acumular calor. A temperatura eleva-se e estimula os receptores cerebrais especializados que respondem com uma dilatação dos vasos e da pele que favorecem a sudação. A distribuição sanguínea altera-se de forma a beneficiar a pele e os músculos.
O suor é composto por água, sódio e potássio, daí que sejamos obrigados, se não quisermos ter problemas, a compensar estas percas. Em condições extremas e excepcionais, podemos chegar a perder até 2,5 litros de suor por hora, com perigo claro de uma desidratação que vem precedida de uma diminuição da resistência e da força muscular.
No início da era profissional do ténis, quando se realizaram os primeiros estudos médicos relacionados com o esforço, comprovou-se que o americano Harold Salomon, na sua meia-final de 1976 a cinco sets frente a Raul Ramírez, bebeu quatro litros de liquido, e o seu corpo perdeu 3 kg, o que supunha um 4,5% do seu peso corporal. Evidentemente, hoje em dia, com os avanços da ciência, Solomon deveria ter bebido mais e melhor, teria hidratando-se melhor e teria perdido menos peso e menos força.
Há que ter em conta outro factor importante na sudação, como a envergadura e o peso do jogador, que comportam umas sensíveis diferenças cutâneas. Um dos jogadores do ténis moderno, que mais acusava os efeitos da sudação era o australiano Patrick Rafter. Finalista de Wimbledon em 2001 era um dos que mais líquido perdia através da sudação e, inclusive os médicos recomendavam que ele fugisse do excesso de pelo (para evitar calor) já que os seus habituais acessos a cãibras podiam ter origem na desidratação á qual se expunha. No Australian Open, os organizadores, conhecendo o seu especial problema, tentavam colocar o seu encontro ao fim do dia, para esquivar-se do calor.
A sensação de sede, igual que a sudação, passa pela estimulação de receptores cerebrais especializados. É importante saber que esta sensação de sede aparece sempre atrasada em relação com a desidratação. Para que tenhamos a sensação de sede há que ter perdido meio litro de liquido (0,5 L) pela pele e pela respiração. Por isso é necessário beber antes que chegue a necessidade, e no ténis, não como sucede noutros desportos, há uns minutos de descanso que devem utilizar-se primordialmente para nos hidratarmos.

As consequências da desidratação
Os problemas mais frequentes que derivam de uma desidratação são:
· Problemas digestivos durante a prática.
· Problemas musculares: dor, cãibras.
· Pedras no rim. Mais frequentes no verão quando os sintomas de desidratação passam mais despercebidos.
· Desmaios.

Água e Organismo
O ambiente climático e a geografia do lugar onde praticamos ténis tem uma influência vital no desenvolvimento do nosso jogo, sejamos tenistas profissionais ou amadores. As condições de um torneio como o US Open em Flushing Meadows, com temperaturas elevadas unidas a um elevadíssimo grau de humidade, guardam uma escassa relação com as que podem encontrar-se num dia chuvoso em Wimbledon ou uma jornada de um torneio indoor. O mesmo acontece com a prática amadora. As condições ambientais são decisivas e afectam de forma fundamental a sudação e o equilíbrio hídrico do nosso corpo, que faz com que a contribuição dos sais minerais adquiram um protagonismo de primeira magnitude.

A água representa mais de metade do nosso peso corporal e reparte-se em dois sectores: o primeiro corresponde à água que se encontra situada no exterior das células (nos vasos e nos sectores extracelulares). A água deste sector está imediatamente disponível para a sudação. O segundo corresponde à água que se encontra dentro das células e que são a reserva vital do nosso organismo. Esta água intracelular supõe um 60% do total do nosso organismo.
A contribuição da água para o nosso organismo efectua-se por duas vias. Por um lado as bebidas e a alimentação proporcionam uma média de 1,7 litros diários de água. Por outro lado, o corpo é capaz de obter a sua própria água através do seu metabolismo, ao queimar calorias e obter água.
A saída de água do nosso organismo produz-se por três vias. A eliminação pelos sais (é mínima); a eliminação pela urina (é mais variável e oscila entre o ½ litro e o litro e meio diário); e a eliminação através do tecido cutâneo e respiratório, que é a mais importante com uma regularidade entre os 0,7 e os 1,2 litros diários.

O equilíbrio sódio-potássio

Um bom conhecimento das entradas e saídas de sódio e potássio do nosso organismo permitem obter um equilíbrio correcto e indispensável para a realização de um exercício físico intenso ou prolongado.
O sódio é o sal mineral preponderante no sector extracelular (sangue e plasma). Ali encontramos um 98% do sódio total do nosso organismo, e só uns 2% se encontra nas células. No corpo há entre 80 e 100 gramas de sódio, segundo o suporte alimentar de cada pessoa. O suporte diário oscila entre 9 e 15 gramas, e podemos dizer que a metade deste suporte provém do sal de cozinha. A saída do sódio do nosso organismo efectua-se por diversas vias: uma é a via cutânea, que tem uma importância variável. Em condições extremas e excepcionais, através do suor poderíamos perder 10 gramas de sódio (o que implicaria uma sudação extrema) Outra é a eliminação pela urina, que é a via mais importante, e na qual o rim joga um papel de controlo.
O potássio é o sal mineral essencial para o funcionamento celular. O corpo de um jogador tem entre 0,19 e 0,24 gramas de potássio por quilo de peso. As células contêm um 98% de potássio total do organismo, 75% do qual está captado pelas células musculares. O suporte de potássio ao corpo através da alimentação é muito variável, e oscilam entre os 2,7 e os 5,8 gramas diários. A saída de potássio do corpo realiza-se através dos sais (escassa); da sudação, importante já que a concentração de potássio no suor tem uma media de 0,6 a 07, gramas por litro; e da urina que também é controlada pelo rim.

Bebidas isotónicas, hipertónicas e hipotónicas
Mesmo que estejamos habituados a ouvir as diferentes categorias de bebidas energéticas, é importante conhecer as diferenças entre cada uma delas, já que a sua denominação contribui com importantes dados que o desportista deve ter em conta na hora de escolher o seu melhor aliado contra a desidratação.

Bebidas isotónicas
Encargam-se de repor o líquido com as concentrações justas de minerais que necessitamos. Incluem sais de sódio, potássio, magnésio, cálcio, fósforo ou cloro, todas ou algumas delas segundo a marca.

Bebidas hipertónicas
Os electrólitos estão mais concentrados. Trata-se de uma bebida pouco útil por ser mais difícil de assimilar-se pelo sistema digestivo e precisaria sempre de um extra de água para buscar o equilíbrio fisiológico.

Bebidas hipotónicas
Neste caso os sais minerais estão em menor concentração e a bebida é de mais fácil ingestão ou assimilação, supondo suficiente reposição mineral quando as condições de sudação não são tão dramáticas.

Portanto, podemos dizer que a definição isotónica não é mais que uma de muitas possibilidades, já que segundo concentremos mais ou menos pó na água teremos uma bebida isotónica, hipertónica ou hipotónica. Pela mesma razão podemos conseguir uma bebida hipotónica rebaixando com água uma bebida isotónica já preparada.

Normas básicas para uma boa hidratação
Começar hidratado. O consumo de alimentos hiperglicémicos durante as refeições antes do exercício físico necessita de uma maior quantidade de líquidos. Cada grama adicional armazenado pelo glicogénio retém 3 gramas de água.
Continuar a beber durante o exercício físico. Não esperar para ter sede. A sede aparece quando a desidratação já esta presente e quanto mais desidratado estiver, menos sede se tem. Isto acontece, porque a sede não é realmente um bom indicador da sua falta e dai a importância de se conhecer o mecanismo e os efeitos da desidratação no organismo. Um mínimo de 0,5 litros por hora é recomendável.
Beber com frequência depois do aquecimento.
Beber pequenas quantidades de 100 a 150 ml.
Beber bebidas isotónicas ou água. Para uma hidratação óptima e um abastecimento equilibrado de minerais e glícidos. As bebidas gaseificadas e os sumos de fruta são bebidas hipertónicas que aumentam a desidratação
durante o exercício.
Continuar a beber, inclusive uma vez finalizado o exercício para compensar as percas e reduzir a fadiga.
Um bom duche. È um factor fundamental para uma rehidratação coerente.
Beber demasiada água. Atrasa a rehidratação.
Beber líquidos frios. Há o risco de produção de espasmos pilóricos, vómitos.
Beber demasiado de uma só vez. Pode correr o risco de problemas digestivos.

In Tennis a Fondo nº29

segunda-feira, 15 de Outubro de 2007

GLOSSÁRIO

Glossário

A ITF exige que o texto oficial e decisivo das Regras do Ténis deve ser em inglês. As palavras deste glossário permanecem em inglês deliberadamente, dado que é o idioma no qual nasceram, e a maioria delas seguem sendo utilizadas, tal e qual estão aqui escritas.
Preferimos "transferir" o problema do idioma, em vez de perder fidelidade na tradução, ferindo involuntariamente o verdadeiro significado.

Ace (às): serviço no qual o adversário não consegue tocar na bola com a raquete. O servidor ganha o ponto imediatamente.
Advantage (Vantagem):
ponto seguinte ao “Deuce”. Se o jogador ganhar a “vantagem” ganha o jogo.
All-rounder (jogador completo):
jogador que consegue jogar bem defensivamente e ofensivamente.
American Twist: serviço no qual bola é lançada acima e à esquerda da cabeça do servidor e a terminação da raquete é à direita do corpo deste. O resultado deste serviço, quando bem executado, é que a bola ressalta bastante alta e faz uma curva para a direita.
Anticipation (Antecipação):
habilidade que um jogador tem ao predizer para onde o adversário vai jogar a bola.
Approach shot: mais conhecido como approach. É a pancada de aproximação usada pelo tenista para subir à rede.
Approaching the net: avançar em direcção à rede para aplicar um vólei ou smash. As boas ocasiões para subir à rede são após um forte serviço e ou bem colocado ou ainda seguindo um approach shot.
Australian (Australiana): formação em pares na qual o parceiro do servidor posiciona-se no mesmo lado onde o parceiro está a servir.

Backcourt: zona do court situada entre a linha de serviço e linha de fundo. Esta zona é a zona tabu conhecida como “no man's land” (“terra de nenhum homem” - zona de paciência).
Backhand (Esquerda):
é a pancada em que se bate na bola com as costas da mão voltadas para a frente, independente do tenista ser canhoto ou destro. Batimento do lado esquerdo do corpo por destros, e batimento do lado direito do corpo por esquerdinos.
Backspin: efeito contrário colocado na bola, com movimento de descida da raquete, como se esta cortasse a bola.
Back Swing: fase inicial da execução de uma jogada onde o tenista leva a raquete para trás antes de bater a bola.
Baseline
: linha de fundo do court.
Baseline rally
: “rallies” onde ambos os jogadores trocam bolas desde a linha de fundo do court.
Baseline tennis
: uma aproximação táctica na qual os jogadores permanecem na linha de fundo e tentam desgastar os seus oponentes com longas trocas de bolas “rallies”, ou assim que a oportunidade surgir, ganhar o ponto com um passing-shot.
Best of three (à melhor de três)
: refere-se ao número máximo de sets de cada encontro. No “à melhor de três” os jogadores têm que vencer dois de três sets.
Big point (ponto importante)
: ponto crucial que decide qual jogador vence um ponto ou um jogo importante. Por exemplo, quando o marcador está em 4-4 e o servidor se encontra com um break-point 30-40.
Big Willy: pancada eternizada pelo ex-tenista argentino Guillermo Vilas. Após um lob, o tenista corre de costas para a rede e bate a bola por entre as pernas após ela bater no solo.
Break
: é quando o tenista que recebe vence o jogo, ou seja, ele quebra o serviço do adversário.
Breakback (contra-break)
: situação onde o jogador que perdeu o jogo de serviço, recupera no jogo seguinte quebrando o serviço do adversário, normalmente “igualando” o jogo.
Break-point (ponto de break): é quando o tenista necessita de apenas um ponto para quebrar o serviço do adversário (30-40 ou vantagem contra, por exemplo). Se a contagem for 15 a 40 ele terá dois breakpoints. No caso de zero a 40, ele terá três breakpoints.
Bye
: o direito de disputar a segunda ronda de um torneio sem ter disputado a primeira. No espaço vazio do quadro, coloca-se “bye” e o tenista “adversário” irá directo para a segunda ronda. Em geral, reserva-se este direito a tenistas cabeças de série (ver seeded player).

Center mark: marca situada no meio da linha de fundo do court, efectivamente a extensão da linha de centro. Ao servir, os jogadores devem permanecer no lado correcto desta marca.
Chair Umpire: árbitro da partida. É o responsável pela contagem e confirmação de pontos, assim como pela ordem no court e fora do court (bancada).
Change of ends:
os jogadores trocam de campo regularmente depois de cada jogo ímpar (1,3,5).
Chop:
um backspin usado para devolver serviços rápidos. Ocasionalmente também usado para “amorties”.
Claycourt:
court de terra batida.
Continental grip:
pega situada entre as pegas de direita e de esquerda. Conhecida como pega “martelo” e utilizada para o Serviço, Vólei e Smash.
Cross shot: bola batida em diagonal, bola cruzada. No caso de jogo entre dois tenistas destros, uma esquerda cruzada irá para o lado esquerdo do adversário.

Deep ball: quando uma bola batida com boa profundidade cai pelo menos a um metro da linha de fundo do court do adversário. Um serviço profundo cai pelo menos de 10 a 15 centímetros da linha de serviço. Logicamente, uma bola que caia na linha de fundo tem uma profundidade maior. O tenista que tem controlo suficiente para fazer com que a bola caia a 20-30 centímetros da linha de fundo dificilmente será atacado, pois a dificuldade do adversário é grande.
Defensive player:
um tipo do jogador que geralmente fica atrás da linha de fundo. A personalidade competitiva destes jogadores é marcada pela paciência, determinação, e um grande espírito de sacrifício. Estes jogadores gostam de luta mas nunca correm grandes riscos, ganhando a maior parte dos seus pontos com erros do adversário.
Deuce: termo tradicional que significa “iguais” em 40 (40-40) na contagem de pontos do jogo.
Double fault: o serviço errado é uma falta (fault). Quando o tenista erra dois serviços ele comete, portanto, dupla falta e perde o ponto.
Drawsheet: tabela que mostra o quadro e a ordem dos jogos num torneio.
Drive: um batimento poderoso com topspin leve aplicado do fundo do court, tanto de esquerda como de direita. Considerando a sua trajectória longa, directa é bem ajustado como um passing-shot ou uma tentativa de winner.
Drop shot: jogada popularmente chamada de “amortie”. É um leve toque na bola, com efeito underspin para fazer com que a bola perca velocidade e altura e caia junto da rede no court do adversário.
Drop volley: lance em que o tenista aplica um “amortie” com vólei.

Eastern grip: pega de Direita. Descreve um aperto que permite que a bola seja batida facilmente à frente do corpo e a raquete balançada durante todo o tempo.
Exhibition matches
: jogos arranjados fora de competições como uma forma de entretenimento público.

Flat ball: é a bola batida sem efeito, no ténis moderno é raro ver este tipo de pancada.
Flat serve:
serviço flat que é batido sem spin e segue uma trajectória baixa e directa. Considerando o alto risco de bater na rede, é geralmente melhor ajustado para o primeiro serviço.
Follow-through
: fase final da pancada, após o contacto da raqueta com a bola onde o jogador balança a raquete na direcção do batimento, até depois da bola ser jogada. O follow-through afecta o comprimento, a direcção e a velocidade da bola.
Foot fault: é uma falta cometida durante a execução do serviço. Ocorre quando o tenista toca com o(s) pé(s) a linha de fundo ou invade o court antes de bater na bola.
Footwork:
é a técnica de um jogador para mover-se o mais economicamente à posição ideal para efectuar um batimento. As técnicas (jogo de pés) incluem o tango, passo-duplo, passada lateral e o passo-cruzado ou carioca.
Forecourt:
parte da frente do court, a posição ideal para controlar um ponto (zona da concretização), está entre a rede e a linha de serviço.
Forehand (direita): é a pancada em que se bate na bola com a palma da mão voltada para a frente, independente do tenista ser canhoto ou destro
. Batimento do lado direito do corpo por destros, e batimento do lado esquerdo do corpo por esquerdinos.

Game (jogo): parte do set vencida por um tenista que marque quatro pontos ou faça dois pontos seguidos após o deuce.
Game point: ponto necessário para ganhar um jogo.
Get into the ball: expressão usada quando o tenista bate a bola na subida e coloca todo o peso de seu corpo na pancada.
Grip: é usado para denominar o tipo de pega usada pelo jogador ou o tamanho do cabo da raqueta. É a posição da mão ao segurar a raqueta. Os quatro tipos de pegas conhecidos são: western, eastern, continental e australiana.
Groundstrokes: pancadas de direitas ou esquerdas aplicadas do fundo do campo depois da bola ressaltar.

Half court: secção do court perto da linha de serviço.
Half volley:
o mesmo que bate-pronto. Esta pancada ocorre quando o tenista bate a bola assim que ela pinga no campo. Em geral, é usado por necessidade e não por escolha.
Hardcourt:
court de piso rápido/duro.
Heavy ball: expressão usada para bolas que chegam à raquete com força e não necessariamente com velocidade. Tenistas de “touch” não têm bola pesada.

Imside-Out (fugir da esquerda): conhecido como direita descruzada. Tenistas que têm boa direita preferem dar uns passos para o lado para bater na bola de direita. O termo fugir da esquerda é consequência de que a maioria dos tenistas é destra.

Keep the serve: quando o tenista vence o jogo de serviço. Outra expressão usada é “manter o serviço”.
Kick serve:
serviço com um spin pesado, causa mudança de direcção ou um ressalto inesperado quando cai na área do serviço. Também conhecido como serviço em Twist.
Knockout competition: torneio no qual os jogadores são eliminados quando perdem um encontro.

Let: o árbitro de cadeira dá let quando a bola toca na rede na execução do serviço e cai na área de serviço do adversário (net). Também pode ser dado let quando um objeto estranho entra ou é lançado no court durante a disputa de um ponto ou quando o juiz corrige uma intervenção de um juiz de linha.
Line judge:
Os juízes de linha têm a tarefa de decidir se uma bola cai dentro ou fora do court. As suas decisões só podem ser invalidadas (overruled) pelo árbitro de cadeira.
Line umpire: os auxiliares do árbitro de cadeira. São dispostos em pontos estratégicos, onde têm óptimo ângulo de visão para indicar se a bola foi dentro ou fora e se tocou na rede na execução do serviço (let).
Lob:
bola alta com uma trajectória normalmente por cima da cabeça do oponente. Na sua maioria é jogado quando o adversário está na rede.
Long ball: bola batida para o fundo do court adversário, bem próximo à linha de fundo.
Longline:
bola jogada ao longo ou adjacente a uma das linhas laterais.
Love: Zero na linguagem do ténis. “fifteen love”, quer dizer “quinze a zero” 15-0.
Lucky Loser: e
m alguns torneios de eliminação directa, uma derrota não resulta automaticamente na eliminação. Os jogadores após serem eliminados no qualifying, ganham vaga quadro principal (main draw) devido a alguma desistência de última hora. Esses jogadores são conhecidos como “lucky losers”.

Match point: ocorre quando um tenista precisa de um ponto apenas para vencer o encontro.
Mini-break:
quando o jogador perde um ponto de serviço durante o tie-break.

Net or Let: Ocorre quando a bola toca na fita da rede na execução do serviço.
Not up:
chamada do árbitro quando uma bola ressalta duas vezes, está “morta”.

Offensive player: os jogadores ofensivos usam tácticas agressivas numa tentativa de forçar erros nos adversários. Eles tomam riscos para ganhar pontos rapidamente. Os jogadores ofensivos muitas vezes fazem um estilo de jogo serviço-rede, servindo bem e tentando acabar o ponto com um winner em vólei.
On the rise: é quando se bate a bola na subida desta.
Open angles: referência aos ângulos do court. O tenista consegue o ângulo desejado utilizando-se de bolas cruzadas, que podem “tirar” o adversário do court na tentativa de devolver a bola.
Out: bola fora.
Overhead:
descreve uma pancada jogada acima da cabeça, p. ex. um smash.
Overrule:
a opção do árbitro e o privilégio de corrigir uma decisão tomada por um dos juízes de linha.

Passing shot: conhecido como passada porque a bola deve “passar” o tenista que subiu à rede. Pode ser cruzada, paralela ou lob.
Penalty points:
pontos de penalização para comportamento antidesportivo.
Placement:
a bola é batida a uma parte precisamente escolhida do court, normalmente aquela que o oponente não consegue alcançar.

Qualifying competition: fase de qualificação do torneio que dá aos jogadores menos cotados do ranking a oportunidade de qualificação para o quadro principal.

Receiver: tenista que recebe o serviço.
Round Robin
: Formato de disputa de torneio onde o jogador enfrenta cada um dos componentes do seu grupo.

Second serve: quando um tenista erra o primeiro serviço, tem direito a outro, chamado segundo serviço.
Seeding: os tenistas com melhor ranking do torneio são dispostos no quadro de forma a não se enfrentem tão cedo. São os chamados cabeças-de-série. Os cabeças-de-série números um e dois, por exemplo, são colocados na primeira e na última linha do quadro principal respectivamente, de forma que só possam enfrentar-se na final.
Semicontinental:
combinação de pegas, pode ser usado para a maior parte das pancadas em particular para vóleis, smash e serviços.
Serve or service:
cada ponto começa com um serviço. De uma posição atrás da linha de fundo, o servidor tem de bater na bola diagonalmente por cima da rede na área de serviço do adversário. Os jogadores têm duas tentativas para servir correctamente em cada ponto. No primeiro ponto de qualquer jogo ou set, o serviço é jogado do lado direito do court. Depois disto o servidor alterna o lado (do direito a esquerdo e vice-versa) no início de cada ponto novo.
Server:
jogador que está a servir (servidor).
Serve and volley:
estilo de jogo conhecido como serviço-vólei. Baseado na força do serviço, não agrada aos amantes do ténis arte, pois impede longas trocas de bola. Quando há um tenista deste estilo no court, os pontos são em geral decididos rapidamente.
Service box: área de serviço, onde a bola servida deve cair. Há duas em cada lado do court.
Service lines:
linha de serviço paralela à rede. Em conjunto com a linha de centro e linha lateral, ela demarca os limites da área de serviço.
Service return: resposta do serviço. Gesto importante para que o tenista tenha a oportunidade de quebrar o serviço do adversário.
Set:
um set compreende pelo menos seis jogos. Os encontros são geralmente jogados à melhor de três ou cinco sets. O tenista vence um set ao fazer seis jogos, com dois ou mais jogos de vantagem. O set também pode ser vencido por 7 a 5 (quando os tenistas empatam 5 a 5) ou por 7/6 (quando empatam em 6/6. O desempate acontece no tie-break).
Set Point: quando o tenista só precisa de um ponto para vencer o set. Traduzindo, é o ponto do set. Ter dois set points, por exemplo, corresponde a ter duas oportunidades para fechar o set.
Short ball: bola que toca no court do adversário bem próximo à rede.
Sidespin: efeito lateral aplicado na bola com a raqueta. Faz com que a bola gire horizontalmente.
Sign in:
quando os jogadores introduzem os seus nomes num torneio.
Slice:
uma bola em slice (cortada) onde o backspin aplicado mantém a bola no ar durante mais tempo, causando um ressalto mais baixo quando cai no solo.
Slice serve:
sidespin e topspin são aplicados neste tipo de serviço, causando um ressalto de bola baixo e mudando de direcção.
Smash: outro termo para overhead. Pancada em que o tenista bate na bola quando esta está acima da sua cabeça.
Spin:
rotação de uma bola que resulta de diferentes tipos de pancadas como slice e topspin. O spin afecta a trajectória de uma bola e o modo como ela salta.
Stop volley:
vólei no qual o jogador “toma” o ritmo da bola, para que ela caia suavemente do outro lado da rede, sem que o adversário a alcance.

T: área do court quadra que compreende o encontro da linha de serviço e a linha de centro.
Tie-break:
regra para decisão do set empatado 6 a 6. O tenista que deveria servir no próximo jogo serve uma vez e depois o outro serve duas vezes. O tenista que serviu primeiro serve então duas vezes, o adversário posteriormente faz o mesmo e assim sucessivamente até que um chegue a sete pontos ou, em caso de empate 5 a 5, um tenista marque dois pontos de vantagem sobre o outro. O set é registrado como 7-6, isto é sete jogos a seis.
Topspin:
efeito produzido quando se bate na bola de baixo para cima. Pancada onde o jogador bate na superfície superior da bola, causando um efeito giratório para a frente.
Toss: lançamento da bola para a execução do serviço.
Touch:
sensibilidade ao bater na bola.
Twist serve:
serviço jogado com sidepin e topspin. O resultado deste serviço, quando bem executado, é que a bola ressalta bastante alta e faz uma curva para a direita.

Underspin: efeito criado ao bater na bola com a raquete passando por baixo desta, bastante usado em approachs, amorties e esquerdas. A tendência é que a bola siga mais lenta e alta.
Unforced error:
erro não forçado. Ocorre quando o tenista comete um erro ao executar uma pancada de fundo em uma jogada teoricamente fácil, jogando a bola para fora ou na rede.

Volley: pancada realizada junto da rede e antes que ela salte.

Warm-up: troca de bolas inicial com duração limitada a cinco minutos em jogos oficiais.
Western:
tipo de pega usada em particular para direitas em topspin.
Wildcard:
independente das suas posições nos rankings, um organizador pode convidar um ou vários jogadores para o seu torneio, oferecendo Wildcards. Isto dá aos organizadores do evento a oportunidade de oferecer lugares a jogadores promissores ou jovens, ou alternativamente a “estrelas” quem não conseguiram inscrever-se a tempo para o torneio.
Winner: pancada vencedora, que normalmente conclui o ponto sem que o adversário consiga tocar na bola.

sábado, 13 de Outubro de 2007

QUALIDADES FÍSICAS DE UM JOGADOR DE TÉNIS

Qualidades físicas de um jogador de ténis
Dados:

Analisando o que ocorre num encontro de ténis, desde o ponto de vista do rendimento físico de um jogador, temos os seguintes dados, segundo umas estatísticas publicadas em 1988 pela ATP, baseadas num estudo realizado entre os 150 primeiros classificados do ranking da ATP em encontros jogados sobre terra batida:

  • Duração média de um ponto 6-10 segundos.
  • Duração média de um ponto (em pista rápida) 4,3 segundos.
  • Tempo real de jogo 22% do total.
  • Média de pontos por jogo 6,2.
  • Média de pontos por set 62.
  • Média de pontos num encontro de 5 sets 310.
  • Distância média percorrida por pancada (com serviço) 3 metros.
  • Distância média percorrida por pancada (sem serviço) 3,8 metros.
  • Distância média percorrida por ponto 8-12 metros.
  • Distância média percorrida em um set 850 metros.
  • Distância média percorrida num encontro de 5 sets 4250 metros.

A tendência actual do jogo de ténis é aumentar a velocidade da bola de um lado ao outro do campo, isto é, que a bola vá mais rápida. Isto obriga os jogadores a deslocarem-se com maior rapidez, bater com mais força na bola e tomar decisões num período de tempo mais curto.

Esforço físico realizado durante um encontro de ténis

Tendo uma informação mais precisa no que ocorre em um encontro de ténis, podemos saber com maior exactidão que tipos de esforço físico realizam os jogadores durante um encontro.

Vejamos como se utilizam no ténis as diferentes qualidades físicas :

A Resistência

Um jogador de ténis necessita realizar um esforço importante (arrancar, correr, bater na bola, saltar, mudar de direcção, além de suportar a tensão emocional da competição), durante um período de tempo prolongado (4-5 horas), sem diminuir de forma significativa o seu rendimento. Para isso necessita de uma boa capacidade do sistema respiratório e cardiovascular que proporcione um suporte suficiente de oxigénio e nutrientes ao sistema muscular, ou seja, uma boa resistência aeróbia. Contudo necessita também de outra fonte de energia de emergência disposta a intervir rapidamente ante as urgências que surjam, isto é, a resistência anaeróbica.

As resistências aeróbia e anaeróbica são complementares e muito importantes para a prática de qualquer desporto, a primeira proporciona a energia suficiente para realizar um exercício de baixa intensidade durante muito tempo e a segunda ajuda a manter um exercício de alta intensidade quando a primeira fonte de energia não é suficiente. Esta segunda fonte de energia só deve actuar durante curtos períodos de tempo se não queremos que se produza o esgotamento.

No possuir suficiente resistência aeróbia e anaeróbica para una determinada especialidade desportiva, supõe que a fadiga aparece antes de tempo e, consequentemente, se produz uma diminuição do rendimento físico.

A Força

No ténis devemos distinguir diferentes manifestações de força. Basicamente, um jogador de ténis necessita da força muscular para deslocar-se rapidamente e para bater a bola. A força explosiva nas pernas é indispensável para ter uma boa capacidade de aceleração, enquanto que a força rápida dos membros superiores é necessária para bater forte a bola e que esta chegue ao lado contrário o quanto antes. Para isto é necessário uma boa capacidade de força muscular, mais concretamente, uma força capaz de actuar em um curto período de tempo, própria dos lançamentos, a isto é o que chamamos potência ou força explosiva. Esta força tem que ser mantida durante muito tempo, por vezes durante 3-4 horas, o que significa umas 1000 pancadas, pelas quais se necessita uma boa dose de resistência da força. Assim, não basta correr rápido ou bater forte na bola no início do encontro mas sim, ter que o fazer durante todo o encontro.

A Velocidade

Um jogador de ténis tem que realizar uma enorme quantidade de arranques, acelerações e mudanças de direcção. O ciclo normal de uma pancada inclui, arrancar, acelerar e voltar ao ponto inicial. Em um encontro pode-se chegar a dar 1250 pancadas. A intensidade das corridas varia, em alguns gestos os deslocamentos são curtos e a intensidade da corrida é baixa, mas em outros são largos e intensos. Isto supõe um desgaste intervalado e irregular, que a seu tempo será importante, ainda que os tempos de descanso sejam elevados (25 segundos entre pontos e 90 segundos nas trocas de campo). Há que ter em conta que quebrar a inércia é a fase mais dura das corridas e isto é, precisamente, o que abunda no ténis: arrancar, travar e mudar de direcção. Para realizar esta tarefa física, um jogador necessita uma boa capacidade de aceleração que podemos enquadra-la dentro da qualidade física a que chamamos velocidade de deslocamento. Não devemos confundir isto com a velocidade máxima que se produz nos 100 metros, no ténis os deslocamentos médios são de 4 metros (máximo de 14 metros).

Por sua vez, a velocidade necessária na execução das pancadas chamamos de velocidade de movimento.

Qualidades coordenativas

Neste grupo enquadram-se uma série de capacidades como a capacidade de equilíbrio, orientação ou de ritmo, que têm como denominador comum o ordenamento e organização da enorme quantidade de informação que o jogador de ténis recebe.

Um jogador de ténis necessita de uma série de qualidades perceptivo-motoras que lhe permitam ter uma informação precisa do que ocorre no campo e, depois, um alto grau de capacidades coordenativas que lhe facilitem processar dita informação para tomar decisões e executar os movimentos rapidamente.

As qualidades físicas coordenativas são as primeiras que diminuem significativamente quando aparece a fadiga.

A Mobilidade Articular

As posições de batimento e os movimentos das articulações na execução das pancadas determinam no jogador de ténis, uma amplitude óptima de movimento. Isto não significa de modo algum que quanta mais mobilidade articular possua o tenista, mais vantagem tenha, senão que cada tipo de desporto com os seus gestos concretos necessita de uma mobilidade específica, tanto a nível de membros inferiores (deslocamentos e posições forçadas), como do tronco e membros superiores (bater a bola em posições forçadas). O jogador de ténis necessita de uma flexibilidade articular determinada (grau de movimento das articulações) e necessita, também, de uma elasticidade muscular concreta (capacidade de estirar o músculo), ainda que o que melhor define este conceito é a mobilidade articular, já que engloba as anteriores, dando-lhes um sentido de continuidade e dinamismo mais próprio dos movimentos desportivos.

Em definitivo, disputar um ponto, significa um trabalho médio de 10 segundos onde se correm 12 metros em diferentes direcções e onde se bate a bola quatro vezes. Depois de realizar este esforço, o jogador dispõe de um descanso de 25 segundos e a cada 12-13 pontos dispõe de um descanso adicional de 90 segundos. Este trabalho não é homogéneo senão que aumenta ou diminui a intensidade segundo a variação da longitude, velocidade e duração dos deslocamentos, mas em qualquer caso deverá manter-se durante as 3-4 horas que dure um encontro, suportando a tensão emocional e muscular adicional da competição, o que supõe um desgaste adicional considerável.

Podemos considerar que um jogador de ténis deve realizar um trabalho intervalado no qual alterna curtos períodos de trabalho intenso com largos períodos de descanso numa relação de 1:3. Concretamente em um encontro de 5 sets, deverá bater-se a bola de diferentes maneiras (direita, esquerda, serviço, vólei e smash), aproximadamente 1000 vezes e realizar 310 corridas de 12 metros com mudanças de direcção. A intensidade das corridas será variável produzindo-se 40% de intensidade baixa, 35% de intensidade média e 25% de intensidade alta. A duração média dos pontos será de 10 segundos (59% menos de 10 segundos, 22% entre 10-20 segundos e 19% mais de 20 segundos). Estes dados podem sofrer ligeiras variações dependendo da superfície de jogo (piso duro ou terra batida), mas dão-nos uma ideia bastante aproximada do esforço físico de um jogador de ténis, com o que estaremos mais capacitados para encaminhar a preparação física dos nossos jogadores.

Resumindo, as qualidades físicas mais importantes que devemos desenvolver em um jogador de ténis, são as seguintes:

  • Resistência (aeróbica e anaeróbica).
  • Força (força explosiva, força rápida e resistência da força).
  • Velocidade (capacidade de aceleração).
  • Capacidades coordenativas (equilíbrio, orientação, ritmo, etc.).
  • Mobilidade articular (flexibilidade, elasticidade).

Em próximos artigos explicaremos com maior profundidade, cada uma das qualidades físicas, quanto necessita o jogador de ténis de cada uma delas e o que podemos fazer para melhorar a nossa preparação física. Noutras palavras como é o perfil, desde o ponto de vista físico, do jogador de ténis e o que podemos fazer para nos aproximarmos desse perfil ideal.

segunda-feira, 8 de Outubro de 2007

TENS A RAQUETA QUE PRECISAS?

Tens a raqueta que precisas?

Uma raqueta é o resultado da combinação de dois elementos principais: o aro da raqueta (cabeça) e o encordoamento. Para optimizar o rendimento do nosso ténis, é evidente que ter uma raqueta à nossa medida é um factor fundamental. Um encordoamento correcto, uma encordoação adequada e uma tensão que se adapte à nossa característica de jogo e à cabeça da nossa raqueta, é algo que também devemos cuidar. Mas, pese a importância do encordoamento, é evidente que se trata de um elemento fácil de substituir e de experimentar. O mesmo não sucede com o aro da raqueta, um elemento muito mais fixo, com o qual devemos acertar já que irá condicionar boa parte das possibilidades dos nossos êxitos tenísticos.

Quando nos dispomos a comprar uma raqueta, é necessário saber analisar as características do nosso jogo, já que a técnica, unida à capacidade física, é a principal guia para acertar com a nossa compra. Em seguida, analisaremos os parâmetros principais de um aro da raqueta, e explicaremos a sua influência no comportamento da raqueta. Todos os jogadores deveriam conhecer perfeitamente estes parâmetros, tal como os sinais de circulação que deve aprender um condutor antes de receber a carta de condução. Por vezes, em muitas ocasiões, o desconhecimento destas regras básicas é enorme, levando a uma confusão entre o jogador e o vendedor mais experimentado.

Uma questão de peso?

Podemos falar de dois tipos de peso dos aros da raqueta: o peso estático e o peso dinâmico (inércia). O peso estático é o peso da raqueta imóvel, o que sentimos enquanto seguramos a raqueta. O peso dinâmico ou inércia, muito mais importante no desenvolvimento da técnica do nosso jogo, é o peso que suportamos quando a raqueta está em movimento. Imaginemos que estamos a segurar um martelo, o seu peso é mesmo quer o seguremos no cabo ou na cabeça. No entanto, a facilidade para manejá-lo é muito diferente desde uma situação e a outra. Com as raquetas acontece o mesmo, se a raqueta tem o mesmo peso repartido na parte da cabeça ganhamos em potencia mas perdemos em maneabilidade. Pelo contrário, se o peso tem mais incidência na parte da empunhadura, perdemos potência mas ganhamos maneabilidade.

Rígidas ou flexíveis?

A rigidez do aro de uma raqueta depende dos materiais utilizados na sua fabricação. Estes materiais determinam a potência e o controlo que podemos obter com a raqueta. Desde a invasão da tecnologia na fabricação das raquetas, com o uso de materiais e fibras que vieram substituir as tradicionais raquetas de madeira, a evolução das raquetas foi e continua a ser espectacular, brindando os tenistas com maior opção de eleição.
Em cada ocasião que batemos uma bola, a nossa raqueta sofre uma torção na sua cabeça (aro). Dependendo da rigidez da raqueta esta torção deforma em maior ou menor grau o aro e absorve mais ou menos o impacto da pancada. Isto trás como consequência imediata uma variação na potencia e no controlo.

Quanto mais rígido for o aro da nossa raqueta maior potência iremos obter nas nossas pancadas devido ao curto tempo que a bola mantém com o aro, mas também teremos uma maior transmissão de vibrações no nosso braço. Quanto mais flexível for o aro, maior controlo obtém na pancada, devido ao maior tempo que a bola mantém com o aro.

Largas ou estreitas?

Outro dos parâmetros que mais tem sofrido com as evoluções nos últimos anos tem sido o dos tamanhos do perfil da raqueta. Perante a dúvida em utilizar raquetas de perfil largo ou de perfil estreito, devemos saber que quanto mais largo for o perfil de uma raqueta, maior potência obtemos nas nossas pancadas, mas também perdemos parte da sensibilidade com a bola. Quanto mais estreito for o perfil, obteremos um maior controlo e sensibilidade com as pancadas, mas perdemos em potência. Também podemos encontrar perfis variados, que nos dão diferentes sensações no nosso jogo.

Cabeçudas ou manejáveis?

Cada raqueta tem um ponto de equilíbrio. A sua localização determina a distribuição do peso. A medida standard da longitude de uma raqueta desde a empunhadura à parte superior da cabeça é de 68 centímetros. Se o ponto de equilíbrio se encontra nos 34 centímetros, significa que a raqueta concentra grande parte do seu peso na zona superior e obteremos uma maior potência (será uma raqueta de cabeça pesada). Estas são as raquetas que popularmente chamamos de “cabeçudas”. Se o ponto de equilíbrio é inferior aos 34 centímetros, significa que grande parte do peso da raqueta está orientada para a parte inferior (raquetas de cabeça leve). Com este balanço ganhamos controlo nas nossas pancadas.

Compridas ou Curtas?

Desde há alguns anos, existem modelos de raquetas no mercado que superam entre 0,5 e 2 centímetros a medida standard de uma raqueta. Uma maior longitude da raqueta contribui basicamente com três benefícios
Em primeiro lugar conseguimos uma maior potência, já que se realiza um percurso mais largo junto com o braço imprimindo-se mais carga (lei da alavanca). Uma segunda melhoria será um maior alcance, já que podemos bater em bolas que estejam mais afastadas do nosso corpo. Por último também teremos um maior ângulo de direcção no nosso serviço, já que podemos bater a bola desde uma posição mais alta. No aspecto negativo, um aro mais comprido faz com que percamos algum controlo nas pancadas e, alguma maneabilidade no jogo.
para os tenistas:

Grandes ou pequenas?

Conhece-se como Superfície da cabeça, a superfície hábil para bater a bola. Nas raquetas há uma zona denominada de Sweet Spot (Ponto Doce) que é a zona ideal de batimento. Quanto maiior for essa superfície, maior será o Sweet Spot no qual ganhamos maior potência. Com superfícies de cabeça mais pequenos, obtemos um maior controlo nas nossas pancadas, mas temos que fazer mais esforço para causar impacto na bola.

Redondos ou Poligonais?

Cada fabricante desenvolveu um tipo de empunhadura especial para as suas raquetas. Na maioria dos casos parecem todas iguais mas, devemos ter em conta que no ténis moderno, com as novas técnicas e a bola viajando cada vez mais rápido, as mudanças de empunhadura são mais constantes e velozes, Conhecendo bem a nossa técnica devemos saber que uma empunhadura de desenho mais redondo, sem muitos cantos, facilita-nos a mudança rápida de um tipo de batimento para outro. Também devemos dar valor a uma empunhadura mais poligonal, pois fará com que tenhamos a raqueta mais encaixada na mão, melhor segura. Como em quase todas as coisas, trata-se de procurar um equilíbrio entre a nossa forma de jogar e o tipo de empunhadura que devemos eleger.
Outro factor importante é o tamanho do grip. Sempre ouvimos dizer que o tamanho ideal é aquele que uma vez segura a raqueta, entre a palma da mão e o dedo polegar sobra um espaço de aproximadamente um dedo. Hoje em dia a tendência é utilizar tamanhos mais pequenos, já que a mudança de empunhaduras para o batimento é maior. Uma empunhadura pequena sempre é mais fácil de modificar (adicionando um overgrip, etc), que uma empunhadura grande, muito mais complicada em baixar o tamanho.

Vibrar ou não vibrar?

Os antivibradores foram uma novidade do mercado nos últimos anos. Usando antivibradores perdemos sensação de contacto com a bola, mas em contrapartida reduzem as vibrações, o qual é muito aconselhável para todas as pessoas que têm problemas no cotovelo ou no braço. Com os antivibradores perdemos um pouco de potência nas pancadas. Há os de silicone (que são os melhores) e borracha.

Pele sintética ou couro?

Também os grips têm a sua importância. Basicamente, o mercado oferece dois tipos de grip: os fabricados em pele sintética e os de couro. Os grips sintéticos permitem um melhor controlo da bola, já que a sensação é melhor e absorve mais vibrações. São grips mais aderentes, mais esponjosos e mais agradáveis, apesar de durarem menos que os de couro. Com um grip de couro, ainda que o tacto seja mais duro, a bola sempre “sai” um pouco mais. De todas as formas, a diferença entre uns grips e outros são mínimas no que se refere à modificação do jogo. Os “overgrips” apenas variam as sensações. O único que devemos ter em conta se utilizamos os “overgrips”, é que podemos modificar minimamente o equilíbrio da raqueta, já que o seu peso oscila entre os três e cinco gramas.

In Tennis a Fondo, nº29